01/07/20

Pregom 40 : Mil bolboretas

Mil bolboretas


De ouro era o penedo,
de prata eram as augas,
e coma neve branquinho, 
aquel anjinho sentado.

Um anjo coas aas brancas,
quem estava agardando.
Giravam mil bolboretas, 
que arredor íam voando.

Ata que ao sair o Sol,
coma se aquelo fora del,
fundiu todo cos seus raios,
enviando o brilho aquel.

Porque mil já eram os dias,
levava o anjo agardando,
a que uma Deusa vinhera,
e o bicara nos beiços.

Forom uns raios de Sol
os que vinherom faze-lo,
fundindo anjo e penedo,
onde nazeu um acivro.



Moradelha editora




16/05/20

Bardo VI : Bardo da Língua


Ricardo Carvahlo
Bardo da língua



Sagitário

"Docíssima visom.
Visom angélica.
A música que soa é produto da maos celestiais,
de bocas celestiais,
que pulsam, que sopram,
orgaos, frautas de outro mundo.
Há muita gente na igreja,
mas toda é umha nuvem borrosa,
como si os meus olhos estivessem desenfocados.
O sacerdote, o seu acólito,
os padrinhos, o noivo ...
E as imagens. A Virgem do Socorro,
o Cristo dos Navegantes, Santa Luzia ...
Todos som umha confusa e ondulante massa de luz,
de som ... Nada é nédio, nada tem perfil,
todas as cousas se misturam ...
Todo é vago fundo,
indeterminado segundo termo ...
Só ela se destaca,
se perfila com replandecente precisom,
envolta em branca luz, toucada branca luz ...
Alí está de joenhos perante o altar,
com as pálpebras entornadas sobre os olhos,
de noite profundíssima, pálida e virginal.
mais fermosa que o mais fermoso sonho."


Scórpio, 1a parte, LXIX .
Ricardo Carvalho Calero

17 de Maio de 2020
Dia das Letras Galegas




Moradelha editora



25/04/20

Bardo IV : Eladio Monea


Eladio Monea
Bardo da cadea


1
Paracuellos del Jarama,
desgrazada e histórica.
A guerra civil colheu-no
com catorze aninhos alá.

2
Rapacinho de olhos azuis,
e afundidos, coma seu pai,
celestes coma as hortensas,
a cor das frores celestiais.

3
Fazedeiro e pacífico,
ainda que se cumpria,
quem se pugera diante,
calcava uma labazada.

4
Defensor dos seus queridos.
-Se estivera eiqui Eladio !,
dizia seu irmao Dario,
quando tinha algum tropezo.

5
Xosé, o seu irmao maior,
o maioral das quadrilhas,
levava-o de vrao a Castela
cos irmaos e outros da aldea.

6
Com algo mais de vinte anos,
um na cadea votouche,
seica por encobrir outros,
so, no cárcere de Ourense.

7
Aquel ano tam maldito,
esse tempo entre as reixas,
deixara-o espotreado
para o resto da sua vida.

8
As condicions inhumanas
do cárcere da cidade
de augas quentinhas das Burgas,
o seu coraçom gearem.

9
Malditos carcereiros,
sem ser eu, quem mal lhes queira,
seguro tenhem pagado
aquel mal que lhe fizeram.

10
A sua bondade meirande,
fixo-o que dera esse paso,
pois sendo um rapaz mais novo,
a pena seria menor.

11
Argimiro, de Argentina,
erguía o index da direita,
- Eladio Monea é assim !,
sempre sério el dizia.

12
So me rifara duas veces :
por maltratar uma nena
e por ser ladrom de vinho,
quando eu dez anos teria.

13
Ningumha das duas houvo.
Uma, queixa dumha inveja,
outra um roubo que nom fora,
fora uma embelenhada.

14
Nim vinho que eu roubara
nim meninha maltratada.
Non falamos ja mais delo,
tácitamente aceitavam,

15
que ja el me perdoara,
se havia causa de perdom.
El nom soportava os roubos
nim o de bater-lhe òs nenos.

16
- Hai um espelho na casa,
dixo umha vez òs pequenos,
e referindo-se a mim,
com um carinho ascondido.

17
Um amador das cantigas :
- Cantade polos caminhos,
quando saíam pra algures
dizia-lhe òs seus filhos.

18
Moi amante da poesia
e tamém dos doces vinhos,
um leitor de Rosalía
e do seu querido Curros,

19
com uma incrível memória,
tinha òs dous sempre no bico
em todas as festas que ía,
ía cantando as suas cancions.

20
Vendo morrer a tres filhos,
ver como ían por diante del.
Tantas penas e tanta dor,
ningum coraçom resiste.

21
Sementou um jardim de frores,
a metade delas mirrou,
a outra metade somos nós,
vivindo para contar-vos.

22
Sabendo que ja morria,
bem sabido, um bo home :
- imo-nos do val, dizia,
sua meirande santidade.

23
Agora vai seu coraçom,
de viageiro num cometa,
a cavalinho dum dragom,
pola eternidade toda.




Eladio Monea, marchou no cometa Hale-Boop o
23 de Abril de 1997  






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Bardo V : Luis de Olimpia


Luis de Olimpia
Bardo de Santomé


Sabes amigo Lois,
que se vas escrivindo
vas sacando a pasear
um mundo do interior !.

Um mundo de dentro teu,
que berra se nom sae.
Saem uns sentimentos
de paseo pola tua pel,

que coronam por sair.
Num paseo atopando
as muitas alegrias
e muito alouminho,

nas tuas próprias verbas,
cheias coa tua ánima,
que vam-te sorprendendo,
enchem-te de ledicia.

Sensacions que ti nunca
podias imaginar.
Um mundo de ilusions
que el soio é capaz

de vencer as desgrazas,
por moi grandes que sejam.
Capaces de derrotar
as penas mais profundas.

Capaces de apagar
a qualquer lume entom,
e capaces de acender
lumes de gran paixom.

Capaces de atopar
amores verdadeiros.
E entom bicas a vida,
sacas de paseo os beizos.

Noreas coa amizade.
Sonhas, lés e escreves.
Escreve muito, Luis,
escreve muito, amigo

Escreve, escritor !


A Luis de Olimpia






Moradelha editora




02/03/20

Pregom 17 : Rosquinhas de amor

Rosquinhas de amor

Vou fazer rosquinhas
coas minhas penas.
Vou-lhe botar açúcar
às minhas bágoas.

Vou banhar-me espido
no remanso do rio,
cantando umha alegre cançom,
namentres estou flutuando.

Cos olhos erguidos ò ceo
até que chegue o solpor e
me amostre o seu sanguento
feixe de cores vermelhas,

até que ja nom sinta dor algumha,
até que tudo seja repouso
doce, sereno e prácido,
em tanto nom chega o luar.

E entom hei de sentir-me
apertado polo universo infinito,
magnetizado e renovado
pola catarse duma nova vida.

Sairei da auga coma um home novo,
vendo um novo horizonte,
cheio de saúde e forteza,
batizado pola auga milagreira.

Ja nom saberei que som as penas,
so sentirei doçura nos beiços,
rosquinhas e melindres 
nos meus pensamentos.



Moradelha editora






18/01/20

Bardo II : Moncho

Bardo do Grove

Amigo Moncho:

Seica estám-te a fazer as invernacions.

Agora andas pola Ria de Pontevedra,
peró sei que che presta mais a de Arousa.
Agarra-te à maior marinheiro
e pom rumo às Pedras Negras.

Logo imos ir às navalhas e
mercar uns mexilhons na lonja do Grove.
Encargaremos uma empanada de xoubas
e jantaremos ò pé da tua gamela.

Depois navegaremos pola ria,
co arrecendo do ar,
na tua gamelinha 
atá Sam Vicente do Mar.


A Moncho Soutullo, marinheiro, amigo, irmao.

Peixinhos do mar


Moradelha editora





15/01/20

Bardo I : A chambra de linho


Bardo de Santomé



".. estavam às ordens de Adrasto e Anfio,
de coraça de linho : ambos eram filhos de
Mérope Percosio, que conhecia como
ninguém o arte adivinhadeiro e nom queria
que os seus filhos foram à homicida guerra;
peró nom lhe obedecêrom .. "

A Ilíada, Homero



Scarborough fair

A Eladio Monea, fillo



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